RPG’s Japoneses e a Jornada do Herói

Autor IgorSan | Categoria Pensamentos Aleatórios

20 Oct 2009

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Eu gosto muito de Final Fantasy e outras séries de RPG japonesas(Atualmente estou gostando menos dos jogos da Square e estou jogando a série Persona da Atlus). Em sua maioria têm personagens carismáticos, tramas envolventes e golpes cheios de efeitos especiais.

Mas para falar a verdade, RPG’s japoneses não são RPG’s de verdade. Há poucas opções em termos de história; Eles são extremamente lineares. Você não pode deixar de salvar o garoto na praia que foi atacado por monstros abssais. Não se pode ser malzão. O máximo que se pode fazer é ignorar as side quests do jogo, os chefes secretos e ir direto ao final.

Isso os difere muito de jogos como Baldur’s Gate, Never Winter Nights e Elder Scrolls. As opções são vastas e você não precisa se prender a certos aspectos do personagem. Ser um cara mal pode até dificultar a sua vida, mas é possível.

Diferentes Fórmulas, Mesma História

O que os RPG’s orientais tem de destaque maior é a forma como são contadas suas histórias e é aí que reside seu charme. Eles são como Mangás e Animes e as novas gerações de jogos (desde os primeiros jogos de PS2) tem se aproximado disso. Como recursos gráficos maiores e a introdução de diálogos falados acrescentaram a esses jogos diversas cut scenes (aquelas ceninhas no meio do jogo com gráficos em tempo real que servem para contar parte da história). O jogador virá um telespectador durante minutos e mais minutos. Os japoneses gostam de contar histórias e é isso que seus jogos fazem de melhor. Você vira um participante dessas histórias.

É como fazer parte da produção de um Anime. A diversão fica garantida por horas e horas, mas se os personagens não conseguem cativar o público a coisa despenca. A centralidade desses jogos está nos personagens. Você tem de ser convencido de que quer ver a trajetória do herói até o final. Um recurso interessante que era usado nos primeiros jogos do gênero para aprender a atenção eram os personagens principais mudos. Assim você, que não fazia parte da história e não podia interagir diretamente com os outros personagens se sentia na pele do herói. Dragon Quest ainda segue a risca a formula em DQ VIII, não só essa como a de todo RPG oriental das antigas,com uma história simples e que aposta, indiretamente, na jornada do herói, um conceito criado por Joseph Campbell.

Segundo Campbell, há uma espécie de “monomito”, ou seja, um mito geral em todas as culturas, mas com formatos diferentes. Esses mitos falam de heróis em jornadas de auto-conhecimento e auto-transcendência. As histórias dos RPG’s japoneses, com grande freqüência se encaixa nesses termos e a identificação do jogador com essas histórias que são contadas se tornou a grande chave dessa relação.

Lembrando que essa fórmula não foi utilizada apenas pelos orientais. Ela aparece na série Star Wars e é claro, nos jogos de RPG ocidentais com a mesma freqüência. O que destaco como diferença é a abordagem do tema e o quanto ele se faz presente em cada um dos dois estilos de jogos.

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Maneira Nova de Fazer Coisas Velhas

Hironobu Sakagushi, criador da série Final Fantasy,demonstrou essa característica dos japas com sua produtora, a Mistwalker. Ele saiu da Square-Enix cuspindo em Final Fantasy: declarou que come FF no café manhã. Depois de declarar uma grande inovação nos jogos de sua produtora publicou Lost Odyssey, que apesar de ser, aparentemente, um bom jogo mais parece um… Final Fantasy. Batalhas de turno, linearidade, super CG’s…

Sakagushi não fez nada de errado, fez o melhor que se faz na terra do sol nascente, até porque, é exatamente isso que a Microsoft quer buscando o mercado de olhos puxados.

Eu pessoalmente gosto de ambos: a liberdade dos ocidentais e as histórias contadas pelos orientais. Na minha opinião, não dá para misturar as duas coisas pois são propostas diferentes e portanto que cada um tenha seu lugar ao sol. E você? Qual a sua opinião?

[Nota do Geek Pobre: O texto foi escrito originalmente no Não Tenho, o blog do IgorSan. Vale a pena dar uma olhada nesse post lá também, ele recomendou várias coisas pra quem se interessou pela jornada do heroi]

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  • Ed Carlo
    "Eu concordo plenamente que os atuais jogos da square estão medianos, o que é ótimo para series como persona!Agora quanto a questão da linearedade(essa palavra existe?)dos jogos...eu discordo das limitações impostas pelos rpg's orientais, na minha opinião o que torna alogo memoravel alem da estoria nos casos de rpg's é o conjunto da obra^^um exemplo ótimo de variedades ó o jogo mana khemia pára ps2!Além do que não importa tanto o que se possa fazer....o objetivo final é sempre o mesmo...e alem do que nem tudo que é possivel fazer compensa...o que resulta em frustração....jogo bom?Shadow of Destiny^^"
    OBS:conheci esse blog a pouco...provavelmente serei um frequentador assiduo!Parabens pelas materias^^!
  • Eu particularmente sou muito fã dos RPGs japoneses. Um que estou jogando pela milésima vez é o Chrono Trigger, que tem uma liberdade maior que a maioria dos outros RPGs japoneses com seus 12 finais. Gosto de RPGs das antigas, com suas histórias mais complexas que os atuais.
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