Porque JRPGs não são RPGs

Autor geekpobre | Categoria Pensamentos Aleatórios

17 Jul 2009

Eu sou uma pessoa que sempre achou a história de um jogo uma das coisas mais importantes, desde o segundo jogo que joguei na vida a história é algo que estava sempre em primeiro plano (caso esteja curioso, o jogo foi Day of the Tentacle). Como um reflexo disso em pouco tempo estava jogando RPGs como Phantasy Star, Chrono Trigger e Final Fantasy.

Como bom nerd (e com um empurrãozinho de uns amigos) comecei a jogar o verdadeiro RPG, aquele que não necessita nada além de imaginação, mas onde canetas e dados são bem vindos. Como resultado disso eu logo comecei a jogar os clássicos jogos de RPG como Baldur’s Gate, IceWind Dale e tantos outros. Foi ai que vi o que é um verdadeiro CORPG, um jogo onde você deve interpretar seu personagem. Se sou mal porque iria me juntar ao grupo que quer salvar a vila? Se eu, pessoa, não ligo para aquela garota que acabou de ser empalada por um maluco que pulou do céu porque tenho que seguir ele jurando vingança?

Não sei se perceberam, mas ai está meu ponto. RPGs japoneses NÃO são RPGs! O nome do jogo é roleplaying game, interpretação de personagens. Me digam por favor, onde está a interpretação de personagem em jogos de RPG japoneses?

O RPG é muito mais do que aqueles livros ditando (praticamente vomitando) regras. É interpretar, brincar de ser uma coisa que você nunca vai conseguir ser. Tanto que todo RPG decente diz logo no começo que o mais importante não são aquelas regras que estão ali e que você está livre para criar as suas próprias regras ou modificar aquelas quando e como quiser.

Jogar RPG é como brincar de policia e ladrão, as regras no RPG são feitas para controlar a própria natureza humana de querer ser o ser mais poderoso do universo e destruir planetas com um simples olhar, ou você acha que se não houvesse regras não ia ter um jogador falando “Eu solto uma magia que libera 3000 bolas de fogo teleguiadas que acertam a cabeça de todos os 10 guerreiros na sala”? Esse é o objetivo das regras de um RPG, limitar, fazer o jogador contornar situações com o que tem.

Enquanto isso os JRPGs apoiam quase que totalmente em cima disso, regras, níveis, exp. A história ainda está em primeiro plano, mas ela é dura e imutável como uma rocha. Se eu não salvar a princesa, o jogo acaba, eu perco. Num RPG de verdade ao deixar a princesa morrer, o vilão irá ficar mais forte ou transformará o mundo em um lugar onde a loucura e demência reinam, mas eu não perco.

Um jogo de RPG de verdade me deixa escolher entre ser um mago que solta bolas de fogo dentro do meu escudo de gelo, um guerreiro com uma espada lendária que tem seu poder retirado de sábios do passado que selaram o mal e colocaram na espada o mesmo poder ou um ladino que apenas quer ser milhonário a qualquer custo. Um JRPG me força a ser o cara que perdeu a memória e é um experimento mal sucessido de uma organização na qual eu luto contra, não importa se eu me importo ou não com  o que essa organização está fazendo.

Os JRPGs não são nada mais do que jogos rasos, sem nenhuma profundidade na história como um todo ou nas histórias de seus personagens. São jogos longos não porque tem tantos detalhes, tantas coisas para serem feitas que te faz querer ir atrás dessas coisas. São jogos longos porque foram alongados de forma forçada para serem longos.

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  • Paulo Munir
    Jrpgs não são Jrpgs porque eles são RPGS (no mundo dos games eletrônicos), a conotação de JRPG é uma coisa completamente discriminatória, já que foram estes, os "J"Rpgs a serem os primeiros a mostrarem que consoles caseiros também podem rodar Rpgs, na caixa do primeiro exemplar de Final Fantasy para NES vinha escrito "RPG" e não "JRPG".
    Apesar do elogio a games como Baldur's Gate e NWN eles tambném não são rpgs de verdade, os únicos rpgs de verdade são os de tabuleiro, jogados online (com ajuda de um programa ou Mirc) ou ainda MMORPGS voltados para o RP, ou seja, interação com pessoas e multiconectividade são critériios básicos para um RPG.
    Eu pessoalmente só gosto de dois tipos de RPGS: os eletrônicos (ou "Jrpgs" como preferir) e os de verdade, com fichas (impressas ou digitalizadas) regras e companhias reais.
  • Concordo que a maioria dos JRPG são longos de mais, inutilmente longos as vezes. Mas eu aprendi a gostar de RPG eletronicos, o de papel e dados eu nunca joguei e nem tenho muita vontade.
    E tem jogos como Chrono Trigger, Chrono Cross , Suikoden e etc que suas escolhas influenciam na historia e no final do game, pode ser bem limitado comparando com o RPG de mesa, mas já é alguma coisa.
  • Concordo que a maioria dos JRPG são longos de mais, inutilmente longos as vezes. Mas eu aprendi a gostar de RPG eletronicos, o de papel e dados eu nunca joguei e nem tenho muita vontade.
  • Não, MMOs que não seguem o mesmo esquema de "É RPG porque tem level, exp e uma historinha rasa no fundo" são raros.
    Os melhores CORPG são jogos como os da BioWare, Bethesda, CD Projekt.
  • Muito pelo contrário! Acho jogos como The Witcher, Baldurs Gate e IceWind Dale jogos que realmente merecem o nome RPG.
    Mas é isso que estou dizendo, o que os JRPGs usam do RPG para terem tal denominação é o uso de nível, experiência. Coisas que estão no RPG de papel e caneta para ajudar o jogo, mas nada impede de você fazer uma campanha apenas com conversa e exploração, sem nenhuma batalha ou confronto físico. Coisa que nunca seria feita num JRPG
  • Gleen
    De acordo com teu artigo, devo dizer então que os melhores rpgs sejam os mmos, certo?
  • Dark_Dragon
    não denomino-os como JRPGs, apenas RPGs Eletrônicos, claro que eles não possuem uma vastidão tão grande quanto o RPG de papel, apresentam uma história pronta, uma sequência, mas possui características SIM de rpg, como a experiência, nível, aventura, investigação, etc etc etc. Existem, hoje, muitos RPGs Eletrônicos que simulam um RPG de papel, com mais opções. Só não venha criticar que RPG Eletrônico não é RPG de verdade...
  • Flaepru
    Eu ia falar alguma coisa relacionada a Fallout 3 ou Oblivion, mas seria fraco, e não são JRPGs :l
  • Didukun
    Concorda, Chrono Trigger não tem "o cara que perdeu a memória e é um experimento mal sucessido de uma organização na qual eu luto contra, não importa se eu me importo ou não com o que essa organização está fazendo."
  • É, faz sentido.

    Mas eu ainda gosto de Chrono Trigger.
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