Eu sou uma pessoa que sempre achou a história de um jogo uma das coisas mais importantes, desde o segundo jogo que joguei na vida a história é algo que estava sempre em primeiro plano (caso esteja curioso, o jogo foi Day of the Tentacle). Como um reflexo disso em pouco tempo estava jogando RPGs como Phantasy Star, Chrono Trigger e Final Fantasy.
Como bom nerd (e com um empurrãozinho de uns amigos) comecei a jogar o verdadeiro RPG, aquele que não necessita nada além de imaginação, mas onde canetas e dados são bem vindos. Como resultado disso eu logo comecei a jogar os clássicos jogos de RPG como Baldur’s Gate, IceWind Dale e tantos outros. Foi ai que vi o que é um verdadeiro CORPG, um jogo onde você deve interpretar seu personagem. Se sou mal porque iria me juntar ao grupo que quer salvar a vila? Se eu, pessoa, não ligo para aquela garota que acabou de ser empalada por um maluco que pulou do céu porque tenho que seguir ele jurando vingança?
Não sei se perceberam, mas ai está meu ponto. RPGs japoneses NÃO são RPGs! O nome do jogo é roleplaying game, interpretação de personagens. Me digam por favor, onde está a interpretação de personagem em jogos de RPG japoneses?
O RPG é muito mais do que aqueles livros ditando (praticamente vomitando) regras. É interpretar, brincar de ser uma coisa que você nunca vai conseguir ser. Tanto que todo RPG decente diz logo no começo que o mais importante não são aquelas regras que estão ali e que você está livre para criar as suas próprias regras ou modificar aquelas quando e como quiser.
Jogar RPG é como brincar de policia e ladrão, as regras no RPG são feitas para controlar a própria natureza humana de querer ser o ser mais poderoso do universo e destruir planetas com um simples olhar, ou você acha que se não houvesse regras não ia ter um jogador falando “Eu solto uma magia que libera 3000 bolas de fogo teleguiadas que acertam a cabeça de todos os 10 guerreiros na sala”? Esse é o objetivo das regras de um RPG, limitar, fazer o jogador contornar situações com o que tem.
Enquanto isso os JRPGs apoiam quase que totalmente em cima disso, regras, níveis, exp. A história ainda está em primeiro plano, mas ela é dura e imutável como uma rocha. Se eu não salvar a princesa, o jogo acaba, eu perco. Num RPG de verdade ao deixar a princesa morrer, o vilão irá ficar mais forte ou transformará o mundo em um lugar onde a loucura e demência reinam, mas eu não perco.
Um jogo de RPG de verdade me deixa escolher entre ser um mago que solta bolas de fogo dentro do meu escudo de gelo, um guerreiro com uma espada lendária que tem seu poder retirado de sábios do passado que selaram o mal e colocaram na espada o mesmo poder ou um ladino que apenas quer ser milhonário a qualquer custo. Um JRPG me força a ser o cara que perdeu a memória e é um experimento mal sucessido de uma organização na qual eu luto contra, não importa se eu me importo ou não com o que essa organização está fazendo.
Os JRPGs não são nada mais do que jogos rasos, sem nenhuma profundidade na história como um todo ou nas histórias de seus personagens. São jogos longos não porque tem tantos detalhes, tantas coisas para serem feitas que te faz querer ir atrás dessas coisas. São jogos longos porque foram alongados de forma forçada para serem longos.
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